sexta-feira, 11 de setembro de 2009

JÁ ÉS MINHA!

Pablo Neruda
1904-2004



Já és minha.

Repousa com teu sonho em meu sonho.

Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.

Gira a noite sobre suas invisíves rodas
e junto a mim és pura
como âmbar dormido...

Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.

Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.

Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.

Sempre viva. Sempre sol. Sempre lua.

Já tuas mãos abriram os punhos delicados e

deixaram cair suaves sinais sem rumo.

Teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,

enquanto eu sigo a água que levas e me leva.

A noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,

e já não sou sem ti senão apenas teu sonho...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Coletivo Marxista convida para a mesa:Introdução ao Marxismo
Debatedor: Carlos Leal
Local: Auditório da decania do CFCH - segundo andar - campus da Praia Vermelha - UFRJ
24 DE SETEMBRO, QUINTA FEIRA, AS 18 HORAS!

sábado, 8 de agosto de 2009

POEMINHA SENTIMENTAL

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passouLimitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

Mario Quintana

sábado, 11 de julho de 2009

Cidadão de papelão

O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
Nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção

À margem de toda candura
À margem de toda candura
À margem de toda candura

Um cara, um papo, um sopapo, um papelão

Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura

O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, à sós
Nem farda, nem tampouco fartura
Sem papel, sem assinaturaSe reciclando vai, se vai

À margem de toda candura
À margem de toda candura

Homem de pedra, de pó, de pé no chão

Não habita, se habitua
Não habita, se habitua


O Teatro Mágico

domingo, 28 de junho de 2009

Ocupação Guerreiros do 234

O MOVIMENTO QUEM VEM COM TUDO NÃO CANSA SE SOLIDARIZA À LUTA DA OCUPAÇÃO GUERREIROS DO 234 E CONVOCA MILITANTES E SIMPATIZANTES PARA APOIAR POLÍTICA E MATERIALMENTE!


Hoje, dia 25, a partir das 16h, estamos convocando para o ato de solidariedade à Ocupação Guerreiros do 234.

Levem bandeiras, faixas e muita indignação!!! Na terça-feira, dia 23, a justiça concedeu ao INSS a reintegração de posse. A Polícia Federal poderá fazer a ação de despejo a qualquer hora do dia ou da noite.

Além do ato, convocamos todos solidários à causa dos sem-tetos a participação na vigília, todos os dias a partir das 22h30min em frente à Ocupação, e a presença durante o dia no local.

A Ocupação está necessitando de doação de comida, utensílios de limpeza e roupas.

Contamos com a solidariedade de tod@s.
Ocupação Guerreiros do 234
Rua Mem de Sá, 234 Próximo a Praça da Cruz Vermelha
AOS COMPANHEIROS CINEASTAS: LEVEM SUAS CÂMERAS-ARMAS!
O DEASFECHO TEMPORÁRIO.....




É GENTE.... A SOLIDARIEDADE A LUTA E A LUTA CONJUNTA DEVEM PERSISTIR, MESMO COM A FORTE ENTRADA DA POLÍCIA NA OCUPAÇÃO E RETIRADA DOS OCUPANTES COM AMPLA AGRESSÃO E VIOLÊNCIA FÍSICA, DEIXANDO MUITOS DE NOSSOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS EXTREMAMENTE MACHUCADOS!














Um prédio abandonado, pessoas que não tem onde morar, nem como sobreviver!





Essas pessoas ocupam esse prédio para morar, o braço armado do Estado retira, homens, mulheres, crianças e idosos com ampla violência para manter " a ordem urbana".








E nós vamos ficar sempre parados, em todos os atos de manifestação popular contra esse sietma opressor ou vamos apoiar nossos companheiros e companheiras?!?!?!









A luta por uma sociedade justa e igualitária é de todo o setor orpimido da população!!!!!!



VAMOS A LUTA!

domingo, 21 de junho de 2009

Domingo de poesia... Brecht e Neruda... Apaixonantes!

Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido…
(Pablo Neruda)


Louvor ao Estudo

Estuda o elementar:
para aqueles cuja hora chegou
não é nunca demasiado tarde.
Estuda o abc. Não basta, mas
Estuda. Não te canses.

Começa. Tens de saber tudo.
Estás chamado a ser um dirigente.
Freqüente a escola, desamparado!
Persegue o saber, morto de frio!

Empunha o livro, faminto!
É uma arma!Estás chamado á ser um dirigente.
Não temas perguntar, companheiro!
Não te deixes convencer!
Compreende tudo por ti mesmo.

O que não sabes por ti, não o sabes.
Confere a conta. Tens de pagá-la.
Aponta com teu dedo a cada coisa
e pergunta: "Que é isto? e como é?"
Estás chamado a ser um dirigente.
(Bertold Brecht)


Expulso Por Bom Motivo

Eu cresci como filho
De gente abastada. Meus pais
Me colocaram um colarinho, e me educaram
No hábito de ser servidoE me ensinaram a dar ordens.
Mas quandoJá crescido, olhei em torno de mim
Não me agradaram as pessoas da minha classe e me juntei
À gente pequena.

Assim
Eles criaram um traidor, ensinaram-lhe
Suas artes, e ele
Denuncia-os ao inimigo.
Sim, eu conto seus segredos. Fico
Entre o povo e explico
Como eles trapaceiam, e digo o que virá, pois
Estou instruído em seus planos.
O latim de seus clérigos corruptos
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,

Então
Ele se revela uma farsa. Tomo
A balança da sua justiça e mostro
Os pesos falsos. E os seus informantes relatam
Que me encontro entre os despossuídos, quando
Tramam a revolta.Eles me advertiram e me tomaram
O que ganhei com meu trabalho. E quando me corrigi
Eles foram me caçar, mas
Em minha casa
Encontraram apenas escritos que expunham
Suas tramas contra o povo. Então
Enviaram uma ordem de prisão
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
As idéias da gente baixa.Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos possuidores.
Mas os despossuídosLêem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por bom motivo.
(Bertold Brecht)



Poema 20

Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância
Gira o vento da noite pelo céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quiz e por vezes ela também me quiz
Em noites como esta, apertei-a em meus braços
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito
Ela me quiz e as vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ?
Posso escrever os versos mais lindos esta noite
Pensar que não a tenho Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E cai o verso na alma como orvalho no trigo
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo A distância alguém canta. A distância
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Para tê-la mais perto meu olhar a procura
Meu coração procura-a, ela não está comigo
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido
Já não a quero, é certo Porém quanto a queria !
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido
De outro. será de outro
Como antes de meus beijos
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é certo,
Porém talvez a queira
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido
Porque em noites como esta
Eu a apertei em meus braços,
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Mesmo que seja a última esta dor que me causa
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito.
(Pablo Neruda)

domingo, 14 de junho de 2009

Linda poesia....

Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

Pablo Neruda